“A história dos Estados Unidos não é um conto de fadas”, lembra no dia da Independência o provável próximo presidente do país

“Não chego a pensar que o índio bom é o índio morto, mas vale para nove entre dez deles, e eu prefiro não olhar de perto o caso do décimo. O caubói mais depravado tem mais princípios morais que o índio médio. Pegue trezentas famílias de classe baixa de Nova York e Nova Jersey e as sustente, por 50 anos, em ócio imoral, e você terá alguma ideia do que são os índios. Imprudentes, vingativos, diabolicamente cruéis.” O pensamento de Theodore Roosevelt, o 26º Presidente dos Estados Unidos, que liderou o país de 1901 a 1909, é um dos que motivaram, hoje, 4 de julho, uma constatação para os desavidados: “A história dos Estados Unidos não é um conto de fadas”. Quem disse o que muitos parecem negar foi ninguém menos que Joe Biden, muito provavelmente será o 46º mandatário da maior potência do planeta. Era um contraponto claro a Donald Trump, que ontem, com o imponente monte Rushmore — aquele com rostos dos pais fundadores dos Estados Unidos — de fundo, homenageava Theodore Roosevel, George Washington, Thomas Jefferson e Abraham Lincoln. “Vamos dizer a verdade como ela é, sem pedir desculpas: os Estados Unidos da América são o país mais justo e excepcional que já existiu na Terra”, disse a uma claque extasiada.

George Washington, Thomas Jefferson, Theodore Roosevelt e Abraham Lincoln esculpidos no monte Rushmore, em Dakota do Sul (EUA)

Rooselvelt, “que desenvolveu uma postura em relação aos indígenas americanos que certamente pode ser descrita como genocida; ou Trump, um supremacista branco do século 21, para quem o assassinato de George FLoyd em 25 de maio foi um caso de violência isolado, estão reescrevendo a história. O Museu Americano de História Natural da Cidade de Nova York anunciou em 21 de junho, que removerá a famosa estátua do ex-presidente que adorna sua entrada principal.

O presidente do museu enfatizou que a decisão foi tomada com base na “composição hierárquica” do monumento – o ex-presidente está a cavalo, ladeado por um homem africano e um indígena americano, ambos a pé – e não pelo simples fato de retratar Roosevelt.

Para o presidente dos Estados Unidos que não vê racismo, mas que repetiu várias vezes uma piada da modalidade, que contou por primeira vez em Tulsa, na América profunda, chamando a covid-19, que surgiu na China no ano passado, de “Kung Flu”, resta um fim melancólico. E a lembrança de um tempo no qual pandemia, racismo e crise econômica adiantaram um processo de decadência imparável. Silencisos golpes chineses…

ps: li para escrever esse post e me arrepiei…”embora não seja muito popular dizer isto, o nazismo não era apenas retoricamente semelhante ao colonialismo europeu, era uma consequência dele e sua culminância lógica. Em um discurso proferido em 1928, Adolf Hitler já falava com admiração sobre como os americanos “reduziram, a tiros, os milhões de peles-vermelhas a apenas algumas centenas de milhares, e mantêm agora o diminuto restante sob observação em uma jaula”. Em 1941, Hitler contou a pessoas próximas seus planos de “europeizar” a Rússia. Não seriam apenas os alemães a fazê-lo, disse ele, mas também os escandinavos e os americanos, ´todos aqueles que têm um sentimento pela Europa´. A coisa mais importante era ´olhar para os nativos como os peles-vermelhas´Cabe a nós definir o que isso representa para as inúmeras celebrações de Roosevelt nos EUA. Mas se seguirmos com honestidade, enfrentaremos um acerto de contas com algo ainda mais monumental que a história do país.”.

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