Que rachadinha… Vice-presidente de um dos países mais corruputos do mundo ostenta carros e lanchas de luxo no Tik Tok

Ninguém pode acusar a família Bolsonaro de ambiciosa, pelo menos até o pai chegar ao poder. Frequentadores do baixo-clero, ocupassem o cargo que ocupassem, o pai e os três filhos se contentavam em arrecadar o salário de funcionários fantasmas e colocar no bolso. Simples e pouco imaginativo.

Na África, o continente onde a corrupção está mais arraigada no planeta, os políticos costumam ser mais ousados. Um exemplo poderoso e atualíssimo são os vídeos do vice-presidente de Guiné Equatorial, uma ex-colônia espanhola e hoje um dos países com índice de desenvolvimento humano (IDH) mais baixo do mundo. E também um dos mais indecentes….

Teodoro Nguema Obiang, mais conhecido como Teodorín, esbanja no instagram e no Tik Tok com hashtags que não deixam dúvidas de suas pretensões. Para mostrar seus superesportivos –ele é um grande fã de carrões–, além de outros mimos que se movimentam por terra (motos), mar (lanchas e jet-skis) e ar (jatos privados), ele usa hashtags como #toy (brinquedinho) y #luxurylife (vida de luxo), entre outros.

@teonguema

♬ sonido original – teonguema

Teodorín é fiho de Teodoro Obiang, o líder que atualmente governa um país há mais tempo, desde 1979. Enquanto o herdeiro esbanja, o papai pede cortes nas empresas públicas diante da crise econômica no país, nos conta uma reportagem do espanhol El Diário. “O atual quadro de crise econômica ocasionado pela queda do preço do petróleo no mercado internacional, bem como a gravidade das consequências da nova pandemia do coronavírus, impõe ao sistema econômico do Estado medidas que contenham gastos, diminuição de equipes, aumento de produtividade e economia interna ”, diz uma carta assinada por ele, dirigida a empresas públicas e datada de 20 de julho, à qual o jornal teve acesso.

São tantos vídeos, de tantos modelos — muitos deles super exclusivos –, de tantos zeros à direita, que a primeira reação é ligar para o Ministério Público da Guiné e contar tudo. “Alô, acabo de ver um vídeo do vice-presidente ebanajando num Ferrari LaFerrari amarelo. Só há 499 desses, custa uns R$ 15 milhões ( 2,5 milhões de euros)”. Ou: “Teodorín acaba de publicar un vídeo saindo de um avião que diz ser dele e e é um dos mais caros do mercdado”.

Haveria muitos bons motivos para denunciar o homem de 52 anos que desde 2012 ocupa o segundo posto mais poderoso do país. Mas adianto que o resultado será decepcionante. “A reacção da sociedade [à ostentação do vice-presidente] é inexistente porque muitos guineenses não têm acesso às redes sociais, o povo está totalmente resignado com o seu destino e muitos acreditam que, sendo filho do presidente, têm o direito de portar aquele classe de vida ”, contou ao El Diário Andrés Esono Ondo, um dos principais dirigentes da oposição. “A população está tão empobrecida que o guineense médio só pensa na sobrevivência diária e, para sobreviver, muitos não têm outra escolha senão pedir ajuda à família do presidente, que atua como uma ONG de ajuda humanitária, distribuindo alimentos aos famintos diante das câmeras de televisão ”, acrescentou. “Com tanta miséria no país, agravada pela pandemia do coronavírus, a exibição de sua vida de luxos e excessos nada mais é do que um sinal de falta de sensibilidade social. Se ele é o vice-presidente da República e, segundo a Constituição , o sucessor do pai, deve ser contido e se comportar como um cidadão comprometido e um exemplo de moralidade e humildade. O que se vê nas redes sociais nos faz ver que o país e o que nele acontece pouco lhe interessam “, afirma o político.

A Guiné Equatorial é um dos países mais ricos da África e o terceiro com o maior PIB per capita do continente – atrás de Seychelles e Maurício. Em termos de Produto Interno Bruto, a Guiné Equatorial deve ocupar a 43ª posição no Índice de Desenvolvimento Humano, no entanto, ocupa a 144ª posição em 189, devido ao baixo investimento realizado em setores como educação e saúde. A expectativa de vida no país é de 58 anos, abaixo da média do continente; apenas 48% da população tem acesso a água potável, segundo dados do PNUD e apenas 23,8% tem acesso à internet. De acordo com um relatório do African Economic Outlook de 2012, cerca de 75% da população vive abaixo da linha da pobreza. Além disso, continua a repressão política contra ativistas e membros da oposição. Segundo a organização Freedom House, que mede direitos políticos e liberdades civis em 210 países e territórios, a Guiné Equatorial ocupa a 222ª posição, superada apenas por países como Coréia do Norte, Turcomenistão, Síria, Eritreia e Sudão do Sul, entre outros.

Talvez Bolsonaro possa enviar Fabrício Queiroz para um estágio bno país. Não remunerado, é claro.


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